top of page

Super El Niño 2026 pode superar os grandes eventos de 1982, 1997 e 2015?

Foto do escritor: Franklin Pimenta dos Anjos
Franklin Pimenta dos Anjos
há 1 dia
4 min de leitura

O El Niño que está se desenvolvendo em 2026 já entrou no radar dos principais centros meteorológicos do mundo. As previsões indicam que o fenômeno poderá atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, levantando uma pergunta inevitável: o El Niño de 2026 pode superar os grandes episódios registrados em 1982–83, 1997–98 e 2015–16?

A resposta, neste momento, é: é possível, mas ainda não se sabe.

O fenômeno ainda está evoluindo e seu pico deverá ocorrer mais adiante. Por isso, qualquer comparação definitiva com os grandes eventos do passado seria prematura.

Os três grandes El Niños da era moderna

Os episódios de 1982–83, 1997–98 e 2015–16 estão entre os eventos mais fortes observados desde o início das modernas observações meteorológicas.

A NOAA classifica os três como episódios excepcionais. O El Niño de 2015–16, por exemplo, foi considerado comparável aos eventos de 1982–83 e 1997–98 em vários indicadores.

O episódio de 1997–98 ficou especialmente conhecido pelos impactos climáticos extremos registrados em diversas partes do planeta e foi considerado o maior evento registrado até aquele momento por algumas métricas.

Já o El Niño de 2015–16 também entrou para a história. Avaliações da NOAA indicam que ele rivalizou com os grandes eventos de 1982–83 e 1997–98, embora algumas métricas indiquem que tenha sido ligeiramente mais fraco que os dois anteriores.

O que está acontecendo em 2026?

O cenário atual chama atenção pela velocidade de intensificação do fenômeno.

Segundo o boletim divulgado em 1º de setembro pelo INMET, em parceria com INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM, há mais de 90% de probabilidade de que setembro, outubro e novembro de 2026 apresentem um El Niño muito forte.

As previsões também indicam que o fenômeno deverá continuar se fortalecendo durante o segundo semestre.

Isso não significa, entretanto, que 2026 já tenha superado os recordes anteriores.

O ponto mais importante é que estamos diante de uma previsão de intensidade excepcional, e não de um recorde já confirmado.

Como 2026 pode ser diferente?

Uma das características que merece atenção é o contexto climático em que esse El Niño está acontecendo.

O planeta atualmente está mais quente do que décadas atrás. Isso significa que os efeitos de um fenômeno natural como o El Niño acontecem sobre uma atmosfera e oceanos que já apresentam temperaturas elevadas.

El Niño não é causado pelo aquecimento global. É uma oscilação natural do sistema oceano-atmosfera do Pacífico.

Porém, os dois fenômenos podem atuar simultaneamente.

Essa combinação pode contribuir para temperaturas globais ainda mais elevadas durante o episódio.

E o Brasil?

Para os brasileiros, uma das questões mais importantes é saber como o fenômeno poderá alterar as chuvas.

O boletim mais recente do INMET aponta um contraste significativo entre regiões.

Sul

A Região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, apresenta maior probabilidade de registrar chuvas acima da média durante setembro, outubro e novembro.

Partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul também apresentam tendência de precipitação acima da média.

Norte e Nordeste

A situação é praticamente oposta.

As previsões indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas das Regiões Norte e Nordeste.

Na Amazônia Legal, o cenário merece atenção porque a combinação de estiagem e calor pode favorecer a propagação de queimadas.

Centro-Oeste e Sudeste

Partes do Brasil Central também aparecem com tendência de chuva abaixo do normal.

Entre as áreas citadas pelo INMET estão Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

As temperaturas, por sua vez, têm tendência de ficar acima da média em grande parte do país.

El Niño significa calor em todo lugar?

Não.

Esse é um dos principais erros em matérias sobre o fenômeno.

O El Niño altera a circulação atmosférica e a distribuição de calor e umidade, mas seus efeitos dependem da região.

Uma área pode enfrentar chuva acima da média enquanto outra sofre com seca.

Além disso, outros fenômenos atmosféricos e oceânicos também interferem no clima.

Por isso, não é correto afirmar que “o El Niño vai causar calor e seca no Brasil inteiro”.

2026 pode superar 1997–98?

Pode, mas ainda não há evidência suficiente para afirmar isso.

Para determinar se o episódio de 2026 realmente será mais intenso que os grandes eventos anteriores, os pesquisadores precisarão analisar o comportamento do Pacífico durante o pico do fenômeno e depois comparar diferentes indicadores.

Isso é importante porque “o mais forte El Niño da história” depende da métrica utilizada.

Temperatura da superfície do mar, pressão atmosférica, circulação dos ventos e outros indicadores podem produzir classificações diferentes.

Por isso, uma manchete como:

“El Niño de 2026 será o mais forte da história”

seria exagerada neste momento.

Uma opção cientificamente mais segura seria:

“El Niño de 2026 pode entrar para a história entre os eventos mais fortes já registrados”

O que devemos observar nos próximos meses?

Os próximos meses serão decisivos.

Os meteorologistas vão acompanhar principalmente:

  • temperatura da superfície do Pacífico Equatorial;

  • evolução da região Niño 3.4;

  • comportamento dos ventos;

  • pressão atmosférica;

  • distribuição das chuvas;

  • temperatura global;

  • impactos sobre diferentes regiões do planeta.

O comportamento desses indicadores permitirá saber se o El Niño de 2026 realmente se aproximará dos grandes eventos de 1982–83, 1997–98 e 2015–16.

Conclusão

O El Niño de 2026 já é um fenômeno excepcionalmente importante para o monitoramento climático.

As previsões oficiais brasileiras apontam para uma alta probabilidade de intensidade muito forte durante a primavera, enquanto diferentes centros meteorológicos acompanham sua evolução.

Entretanto, ainda não é possível dizer que ele será o maior El Niño já registrado.

A comparação definitiva só poderá ser feita quando o fenômeno atingir seu pico e os dados forem analisados.

O que já está claro é que 2026 poderá proporcionar um dos episódios de El Niño mais importantes das últimas décadas — e seus efeitos sobre chuvas, temperaturas e eventos extremos serão acompanhados de perto pelos meteorologistas.

Fontes: INMET, INPE, NOAA e centros internacionais de monitoramento do ENSO.S

 
 
 

Comentários


bottom of page